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Além das baleias-jubarte e outros Misticetos, o coletivo ambiental formado pelo Instituto O Canal e Instituto Últimos Refúgios também executa o monitoramento de outros cetáceos que vivem na costa do Espírito Santo, os Odontocetos, conhecidos popularmente como golfinhos ou botos. São animais cosmopolitas, isto é, são encontrados em todos os oceanos. 

Frequentemente associados a desembocaduras de rios e estuários, ou baías, possuem populações residentes em muitos locais. Alguns destes, cumprem seu ciclo de vida inteiramente fazendo uso do habitat no litoral do Espírito Santo - Brasil, ou seja, nascem, se reproduzem e se alimentam na plataforma continental do estado durante todos os meses do ano. 

Com aproximadamente 40 espécies registradas ao largo do litoral brasileiro, nos cruzeiros das expedições científicas dos últimos anos, foi observada de forma mais frequente na costa capixaba, a presença das espécies: golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus), golfinho-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis), golfinho-pintado-do-atlântico (Stenella frontalis), e boto-cinza (Sotalia guianensis).  Além destes odontocetos, o litoral capixaba conta com a presença da  toninha (Pontoporia blainvillei), o cetáceo mais ameaçado na costa brasileira. 

Com o objetivo de estudar a presença desses Delfinídeos em águas capixabas, foi criado o Projeto Golfinhos do Brasil, que conta com oceanógrafos e biólogos marinhos que estudam os golfinhos que ocorrem no Espírito Santo. Através do Projeto, além de dados científicos, é gerado conteúdo para sensibilização ambiental da sociedade em geral. Assim, mais do que estudar, o projeto promove a difusão científica relacionada a esses cetáceos, tendo como missão, além da conservação desses importantes integrantes da mega fauna brasileira, a transformação dos carismáticos seres, em vetores do turismo de observação natural e em eixos narrativos para práticas de educação ambiental.

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Boto-cinza (Sotalia guianensis)

Esse golfinho, conhecido como boto-cinza, é tipicamente costeiro, pode atingir um pouco mais de 2 metros de comprimento e sua maturação sexual se dá por volta dos 6 anos de idade. Seu hábito alimentar inclui peixes marinhos e estuarinos, como peixes demersais e pelágicos, cefalópodes, camarão e caranguejos. A espécie Sotalia guianensis é endêmica do Oceano Atlântico e ocupa a região costeira, do norte de Santa Catarina (Brasil) até Honduras, geralmente associados a desembocaduras de rios e estuários. Na costa norte do estado do Rio de Janeiro são observados na Barra de São João, Macaé, Carapebus e Quissamã. 

Não há áreas ou populações locais com estudos a longo prazo para estimar a abundância e assim as taxas de declínio, mas declínios substanciais já foram abordados na Baía de Guanabara, por exemplo, em que a população em declínio com menos de 40 indivíduos identificados. Mas, por se tratar de animais que ocupam regiões costeiras, essa espécie é muito capturada em redes de pesca e são suscetíveis a contaminação de lavouras em indústrias que despejam os resíduos nos rios. Seu status de conservação foi classificado como ‘quase ameaçada’ pela IUCN (2018) e como ‘vulnerável’ pelo MMA (2018).

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Toninha (Pontoporia blainvillei)

A Toninha, também conhecida como Franciscana, é a espécie de cetáceo mais ameaçada do litoral brasileiro e a menor em tamanho. Quando adulto chega a 1,75 metros aproximadamente. Sua distribuição é endêmica e restritamente costeira, que vai apenas ao longo da costa leste da América do Sul (Brasil, Uruguai e Argentina), do norte do Golfo San Matias, na região central da Argentina ao Espírito Santo, sudeste do Brasil. Durante a sua distribuição, foram encontrados dois hiatos, onde não há observação desses animais. Um hiato é entre o sul e o centro do estado do Rio de Janeiro e o outro hiato no sul do estado de Espírito Santo. O isolamento genético entre as populações, faz com que as áreas de manejo para a espécie (FMA) sejam diferenciadas pelos pesquisadores do Plano Nacional para a conservação da Toninha (ICMBio, 2010). 

Devida a sua distribuição costeira, por ser endêmica, e altos níveis de mortalidade acidental em redes de pesca, a sua classificada na IUCN é ‘vulnerável’, embora em algumas listas locais ela esteja listada como ‘em extinção’, ou ‘criticamente em perigo’ (MMA, 2018).

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Golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus)

O golfinho-nariz-de-garrafa é a espécie mais conhecida dos golfinhos, pois, é a principal atração de parques aquáticos e ficou famosa pelo personagem “Flipper”. É uma espécie cosmopolita encontrada em regiões costeiras e oceânicas de clima temperado e tropical (Wells & Scott, 1999). No Brasil, existem registros de T. truncatus desde a foz do rio Amazonas até o Rio Grande do Sul (Siciliano et al., 2006), ocorrendo tanto em regiões costeiras. A espécie está dividida em 3 subespécies, o Tursiops truncatus truncatus (Montagu, 1821), o Tursiops truncatus gephyreus (Lahille,1908) e o Tursiops truncatus ponticus (Barabash-Nikiforov, 1940). A espécie encontrada na região da Bacia de Campos é a T. truncatus truncatus. O tamanho dos golfinhos-nariz-de-garrafa podem chegar a 4 metros de comprimento e pesar 450 quilos. Na sua dieta estão incluídos peixes e lulas, e são considerados oportunistas predando o que está mais abundante na região. A espécie Tursiops truncatus está classificada globalmente como ‘pouco preocupante’ (IUCN, 2018).

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Golfinho-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis)

O golfinho-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis) diferencia-se dos outros golfinhos pela ausência de uma demarcação clara entre o melão e o rostro. Esse golfinho pode atingir 2,7 metros e pesar 155  quilos. A maturidade sexual é atingida aos 14 anos nos machos e 10 anos nas fêmeas. Ocorre em todos os oceanos tropicais e temperados. No Brasil está presente em todo o litoral e o Rio Grande do Sul é o seu limite mais austral de distribuição no Atlântico Sul. Sua alimentação é composta por peixes e lulas. Estudos voltados para a sua alimentação reforçam a distribuição da espécie sobre a plataforma continental. Sua classificação na IUCN (2008) está como ‘pouco preocupante’.

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Golfinho-pintado-do-atlântico (Stenella frontalis)

Esse golfinho é mais um registro do projeto durante os cruzeiros.  Seu tamanho médio chega a 2,3 metros e pesa em torno de 150 quilos. Apresenta pintas pelo corpo quando atinge a idade adulta. Formam pequenos grupos, entre 5 a 15 indivíduos, podendo se agregar a outras espécies de golfinhos.

É endêmico do oceano atlântico, com associação a regiões temperadas e tropicais. No Brasil está associado a plataforma continental, entre 30 e 1000 metros de profundidade, com os maiores registros até 200m. Sua classificação pela IUCN é de ‘pouco preocupante’.

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