DESACELERAR PARA SALVAR: 40 ANOS DEPOIS, AS BALEIAS AINDA ENFRENTAM AMEAÇAS NO MAR.
- 23 hours ago
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Um levantamento promovido no Golfo do Panamá, publicado no jornal científico Marine Policy, mostra que colisões com navios de carga podem ser fatais. Entretanto, a solução pode ser mais simples do que parece.
Autor: Rebeca Araújo / Projeto Amigos da Jubarte

Em 1986, a Comissão Baleeira Internacional aprovou uma medida para proibir por completo a caça comercial de baleias em todo o mundo. As águas quentes do litoral sul-americano são um berçário vital para as baleias jubartes, que vêm para cá para acasalar, ter seus filhotes e ensiná-los tudo que precisam para sobreviver.
No entanto, mesmo após marinheiros concordarem com medidas que propõem a alteração das rotas de grandes embarcações, os animais que vivem na região são ameaçados por uma nova questão: a velocidade. Segundo a análise executada por Hector M. Guzman, Natasha Hinojosa e Stefanie Kaiser no Golfo do Panamá, os pilotos continuam acelerando em áreas protegidas, ignorando as recomendações da Organização Marítima Internacional (IMO). O resultado: colisões fatais que ameaçam as populações da região.
As baleias-jubarte migram para a região do Golfo do Panamá (e também do litoral brasileiro) em busca de águas quentes e mais calmas, livres de predadores. Aqui, elas dão à luz aos seus filhotes e os ensinam a nadar, a respirar e a se alimentar, bem como se alimentam para aguentar a viagem de volta até a região das Ilhas Sandwich e do Mar de Weddell.
No contexto onde esses animais precisam dividir seu habitat com embarcações, os filhotes são os mais vulneráveis, afinal, eles ficam em águas mais rasas, não conseguem mergulhar fundo por muito tempo e são menos experientes quando o assunto é se desviar de cascos grandes. Colisões com grandes embarcações (>80m) a uma velocidade maior do que 14 nós (cerca de 25 km/h) são quase sempre letais.
A pesquisa liderada por Hector M. Guzman aponta que houve um aumento de 90% na adesão às novas rotas em 2016, o que reduziu a área de interação potencial entre baleias e navios em 93%. Porém, a velocidade ainda é uma ameaça: apenas 9,7% dos navios respeitam o limite de 10 nós (cerca de 18 km/h), entre os infratores, lideram os navios de carga, os navios petroleiros e os navios de passageiros.
Como resposta aos dados, medidas que buscam solucionar o problema já estão sendo elaboradas. O estudo recomenda que programas de educação para marinheiros sejam uma das etapas para a preservação da espécie, destacando a importância de atividades de sensibilização. Os pesquisadores também afirmam a importância e a urgência das autoridades locais definirem legalmente os limites de velocidade, com base nas informações já apresentadas.
Agora, a sobrevivência das jubartes no seu próprio habitat depende de uma série de ajustes entre a economia global e a conservação ambiental. Enquanto as recomendações de velocidade não forem acatadas como regras rígidas, o lar desses animais continuará sendo uma zona de alto risco. Para as gigantes do mar, sua vida pode depender de apenas alguns nós de velocidade a menos.
Desde 2017, o Jubarte.lab, hub científico dos Projetos Amigos da Jubarte e Golfinhos do Brasil, realiza o monitoramento de cetáceos no litoral capixaba. A equipe realiza a avaliação das áreas com maior risco de colisão entre as baleias jubarte e as grandes embarcações, principalmente na plataforma centro-sul do Estado do Espírito Santo, que é a área de influência do Porto de Tubarão, operado pela Vale S/A.
Segundo a bióloga marinha Bruna Rezende, pesquisadora do Jubarte.lab e coordenadora do Projeto Amigos da Jubarte, esse monitoramento já passou por várias fases de testes metodológicos até chegar no modelo ideal que é usado hoje, “A gente elabora relatórios anuais, e agora, no final de 2026, a gente vai ter um panorama melhor [...] de quais são essas áreas”.
Os pesquisadores do Jubarte.lab vêm se especializando com tecnologias avançadas, como o drone monitoramento, bioacústica e tagueamento de microssatélites para mapear os indivíduos da região. Os dados recolhidos são cruzados com os dados das embarcações, assim é possível identificar as áreas de maior risco de colisão. Com essas informações, é possível sugerir medidas que visam melhor proteger a fauna marinha do nosso litoral e também garantir que as embarcações que atravessam a região e os animais que vivem aqui, possam coexistir de maneira harmônica.
Referências:
GUZMAN, Hector M.; HINOJOSA, Natasha; KAISER, Stefanie. Ship's compliance with a traffic separation scheme and speed limit in the Gulf of Panama and implications for the risk to humpback whales. Marine Policy, [s. l.], v. 120, 104113, 2020.
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O Projeto Amigos da Jubarte é uma realização do Instituto o Canal em parceria com a Vale, patrocínio do Banestes e apoio da Prefeitrua de Vitória através da Secretaria de Meio Ambiente, Ufes e das agências parceiras do queroverbaleia.com.
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