GLITTER E OCEANOS: UMA COMBINAÇÃO PERIGOSA
- 2 days ago
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O glitter pode parecer inofensivo, mas, quando chega aos oceanos, pode causar danos maiores do que imaginávamos.
Autoras: Rebeca Santos e Beatriz Araújo

Carnaval é época de alegria, cor e brilho e nada melhor para complementar o visual do que glitter. Nessa época do ano, é comum vermos pessoas literalmente “brilhando” pelas ruas. É quase como se ele fosse um dos protagonistas da festa. Porém, muitos não sabem que o glitter que abrilhanta a cidade, é um grande vilão para o oceano.
O glitter é feito de um polímero plástico comum chamado Polietileno Tereftalato (PET) e é extremamente durável. É comum que após usá-lo para alguma maquiagem ou trabalho manual encontremos restos dele pela casa por meses. É como se ele “grudasse” no chão, nas paredes, nas roupas e até em nós.
No oceano, o comportamento é o mesmo: ele se fixa em superfícies e cria cristais que a natureza não tem preparação para lidar. Com o tempo, ele forma cascas e esqueletos no oceano que vão se quebrando em pedaços ainda menores: os nano plásticos.
Assim como os microplásticos, os nano plásticos são quase impossíveis de serem removidos de um ambiente. Uma vez liberados, alcançam rios, estuários e oceanos, onde passam a integrar a matriz de poluentes marinhos. Organismos planctônicos e pequenos invertebrados frequentemente ingerem esses fragmentos ao confundi-los com alimentos. Quando a substância ingerida não é metabolizada nem eliminada de forma eficiente, ocorre a bioacumulação, que é o acúmulo progressivo de partículas ou contaminantes nos tecidos de um indivíduo ao longo do tempo.
Além disso, à medida que predadores consomem presas contaminadas, há transferência desses poluentes ao longo da cadeia alimentar. Quando a concentração da substância aumenta a cada nível trófico sucessivo, temos o processo de biomagnificação. Assim, peixes de maior porte podem apresentar cargas contaminantes superiores às de suas presas, e predadores de topo acumulam concentrações ainda mais elevadas. Em mamíferos marinhos, como os golfinhos, que possuem longevidade elevada e dieta composta por diversos peixes e cefalópodes, essa dinâmica pode resultar em exposição crônica a microplásticos e a substâncias químicas associadas, como aditivos industriais e poluentes orgânicos persistentes.
Considerando os efeitos sobre o organismo, os impactos incluem inflamação do trato digestório, alterações metabólicas, estresse oxidativo e possíveis efeitos endócrinos, além de interferências indiretas na dinâmica populacional e na estrutura das comunidades marinhas. Como os seres humanos também ocupam posições elevadas na cadeia alimentar e consomem pescado regularmente, estamos igualmente sujeitos à exposição por meio da dieta. Dessa forma, o glitter integra o crescente problema dos microplásticos, com implicações que transcendem o nível individual e alcançam a saúde ecossistêmica e a segurança alimentar das pessoas.
Durante esse processo de quebra, os cristais formados pelo glitter liberam minerais como a calcita, aragonita e diversos outros tipos de carbonato de cálcio, esse processo é conhecido como “biomineralização” e afeta diretamente a química dos oceanos.
As interações das moléculas desses minerais com as moléculas da água causam um desequilíbrio químico no oceano, esse desequilíbrio afeta as condições de vida necessárias de diversas espécies marinhas, assim, populações inteiras de animais podem ser dizimadas, atrapalhando a cadeia alimentar e as interações dentro do oceano.
O oceano é fundamental para a manutenção da vida na terra. Além de prover alimento e matérias primas, o oceano trabalha ativamente na regulação do clima e também purifica o ar que respiramos. Ao colocarmos o oceano em estado de ameaça, também colocamos em risco a nossa própria vida.
Para ocasiões futuras, que tal optar por alternativas sustentáveis como por exemplo bio glitters e até mesmo pó de mica? você continua brilhando e ainda ajuda a proteger os oceanos.
FONTES:
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